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Ex-presidente Lula em texto a militantes: "Estou tranquilo, mas indignado"

O ex-presidente Lula, preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde sábado (7), mandou um recado para a militância que segue acampada em frente à PF em defesa dele. "Continuo acreditando na Justiça e por isso estou tranquilo, mas indignado como todo inocente fica indignado quando é injustiçado", escreveu.

 

O ex-presidente Lula disse que ouviu o que os manifestantes cantaram e que está agradecido pela presença e resistência de todos. Afirmou que continua desafiando Polícia Federal, Ministério Público, o juiz Sergio Moro e a segunda instância a provarem o crime que supostamente cometeu.

 

A mensagem foi lida pela presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann. Ela disse que tem conversado com Lula por meio de seus advogados. Segundo a parlamentar, o ex-presidente pediu que o recado fosse lido aos manifestantes do acampamento. O PT e a CUT assinaram acordo com a Secretaria Estadual de Segurança do Paraná transferindo o acampamento em direção ao parque Atuba, a cerca de 3 km da superintendência da Polícia Federal.

 

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse, porém, que atos continuarão a acontecer perto da sede da polícia. Ainda nesta segunda, Moro afirmou em evento na Universidade Harvard, nos EUA, que a democracia brasileira não está em risco. "O que está acontecendo é a luta pelo Estado de Direito", declarou. "Eu acho que é exatamente o oposto. Ao final, nós teremos uma democracia mais forte, e uma economia ainda mais forte."

 

Moro pediu licença para fazer um "comentário inicial sobre o que está acontecendo". "É importante dizer algumas coisas, porque o mundo está prestando atenção." Diante de uma plateia de juízes, procuradores e estudantes de direito brasileiros, o magistrado afirmou que há dois jeitos de encarar a situação do Brasil: com vergonha ou com orgulho.

 

"Há alguma razão para estarmos orgulhosos, não de um juiz ou de alguns procuradores, mas do povo brasileiro como um todo", afirmou, lembrando os protestos contra a corrupção. O juiz citou um discurso do então presidente americano Theodore Roosevelt, em 1903, que afirmou que "a exposição e punição da corrupção pública é uma honra para uma nação, e não uma desgraça".

 

"Isso define o que boa parte do povo brasileiro pensa neste momento", disse. Abordado pela reportagem, Moro não quis comentar a invasão ao tríplex atribuído a Lula em Guarujáa, sob o argumento que poderá ter que se posicionar sobre o episódio nos autos no futuro.

 

Em palestra na mesma universidade, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso disse que o Brasil vive uma revolução profunda e pacífica no combate à corrupção. Disse que os juízes estão do lado certo da história e urgiu o Judiciário a manter a postura.

 

Em sua explanação, Moro afirmou que alguns acordos de delação da Lava Jato foram "muito leves" –mas que eram a alternativa possível diante do histórico de impunidade. "É preciso levar em conta as condições de negociação dos procuradores", disse.

 

"Eu concordo que alguns [acordos] poderiam ter sido mais duros, mas às vezes é difícil." Moro voltou a defender o fim do foro especial, inclusive para juízes, e declarou ser a favor de emenda constitucional para acabar com a prerrogativa. Foi aplaudido pela plateia. O tema irá voltar a julgamento no Supremo no dia 2.


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