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02/02/12 - 15h52 - Atualizado às 02/02/12 - 16h54

Polícia usa gás para dispersar ato no Cairo após morte de 74 em estádio

Centenas de manifestantes fugiram após protesto na capital do Egito. Incidente após jogo de futebol aumenta pressão sobre junta militar

As forças de segurança do Egito usaram gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes perto do prédio do Ministério do Interior, no centro do Cairo, nesta quinta-feira (2).



Centenas de pessoas deixaram o local às pressas, segundo testemunhas.



Ele protestavam contra o governo provisório militar, um dia depois da morte de 74 pessoas em uma briga após um jogo de futebol da primeira divisão do Campeonato Egípcio.



Mais cedo, o premiê interino do Egito, Kamal al Ganzuri, reconheceu  que tem "responsabilidade política" pelos distúrbios da véspera na cidade mediterrânea de Port Said.



A declaração foi feita em discurso no renovado Parlamento egípcio, que fez uma reunião de emergência para avaliar o incidente, que também deixou mais de mil feridos.



O premiê também anunciou a destituição dos dirigentes da Federação de Futebol do Egito e a demissão do governador de Port Said.



Ele disse que todos seriam interrogados sobre os acontecimentos da véspera. O campeonato foi suspenso por tempo indeterminado.



O incidente fez aumentar a pressão sobre a junta militar que governa interinamente o Egito desde a queda do ditador Hosni Mubarak, no ano passado.



Manifestantes indignados realizaram protestos, e torcedores e políticos acusaram a junta militar do país de negligência.



Jovens bloquearam as ruas próximas à sede da TV estatal e a emblemática praça Tahrir, no Cairo, e uma multidão se reuniu na principal estação ferroviária da cidade para receber torcedores feridos que chegavam do local da tragédia.



"Abaixo o regime militar", gritava a multidão ao ver os corpos cobertos sendo retirados dos trens.



Essa foi a pior tragédia na história do futebol egípcio, e o mais grave incidente de violência no país desde a queda de Mubarak, há um ano, dentro do contexto da chamada Primavera Árabe.



Batalha campal


Pelo menos mil pessoas ficaram feridas na invasão do campo e nas brigas nas arquibancadas ocorridas na quarta-feira à noite, ao final da partida entre o time local Al Masry e o Al Ahli, da capital.



Testemunhas disseram que muitos torcedores morreram prensados em portões trancados do estádio.



Políticos criticaram a escassa presença policial num jogo que já era considerado de alto risco, e alguns acusaram a junta militar de ter tolerado ou até mesmo provocado a briga.



A Irmandade Muçulmana, que domina o recém-eleito Parlamento, disse que uma mão "invisível" está por trás da tragédia.



Segundo o Ministério do Interior, o tumulto foi provocado por um grupo de torcedores que desejava deliberadamente causar "anarquia, distúrbios e corre-corre".



Centenas de moradores locais se reuniram nos arredores do estádio nesta quinta gritando "Port Said é inocente, isto é uma conspiração".



Críticos frequentemente acusam o Exército egípcio de semear a discórdia para solapar a transição para um regime civil, que os militares prometeram para meados deste ano, com a realização de eleições.



"O conselho militar quer provar que o país está se dirigindo para o caos e a destruição. Eles são homens de Mubarak. Estão aplicando a estratégia dele quando ele disse: 'Escolham entre mim e o caos'", diz o técnico de laboratório Mahmoud el Naggar, 30, membro da Coalizão da Juventude Revolucionária em Port Said.



O marechal Mohamed Tantawi, chefe da junta militar, concedeu uma rara entrevista telefônica ao canal de TV pertencente ao Al Ahli, prometendo identificar os culpados pela tragédia.



O Exército anunciou três dias de luto oficial.



"Lamento profundamente o que aconteceu na partida de futebol em Port Said. Ofereço minhas condolências às famílias das vítimas", afirmou Tantawi em declarações transmitidas pela TV estatal.



Mas isso não aplacou a ira dos torcedores. "O povo quer a execução do marechal", gritava a multidão na estação ferroviária do Cairo. "Vamos assegurar os direitos deles, ou morreremos como eles."

com informações do G1
da redação do PORTAL INFOSAJ
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